Tuesday, 28 de September de 2021

Sem insumos na construção civil e aumento nos valores, obras podem ser paralisadas

Obras do setor público estão sendo as mais prejudicadas na construção civil devido à falta de insumos, pois empresas privadas possuem contato direto com fornecedores

Obras do setor público estão sendo as mais prejudicadas no campo de construção civil devido à falta de insumos, pois empresas privadas possuem contato direto com os fornecedores

Mesmo sendo um dos setores que mais disponibilizaram vagas de emprego durante a pandemia. Hoje, 31, a construção civil está em uma fase onde os preços chegam a ser absurdos e muitas pessoas, até precisam parar suas obras que estão em andamento. Dois motivos causam esse aumento nos valores dos insumos: o primeiro, é a alta demanda e o segundo, o pouco material disponível. No entanto, mesmo que a situação se normalize, o setor irá sofrer as consequências por um longo período.

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Como a construção civil está sendo prejudicada sem os insumos necessários para construir?

No momento, o setor vem passando por sérias dificuldades. Se não há insumos, não existe obras, mas, como continuar se o valor está acima do planejamento inicial? No entanto, essa dificuldade não atinge somente determinadas regiões, mas sim, o Brasil inteiro. Assim, o sonho do brasileiro em construir a casa própria ou dos governantes, em erguer novos prédios, está longe de se tornar realidade.

De acordo com Cezar Mortari, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Goiás (SindusCon-GO), o setor encontra-se estagnado. Onde as obras públicas estão sendo paralisadas, os contratos estão se desequilibrando e os imóveis com valores bem acima do desejado. Para ele, o setor poderá demorar a voltar ao normal, quem sabe, dentro de alguns anos. Para poder chegar a tais conclusões, o presidente tomou como base, o Custo Unitário Básico (CUB).

O CUB nada mais é que um indicador, onde são calculados os seguintes valores: a soma dos custos de materiais com mão de obra e os equipamentos. Logo após obter o resultado dessa soma, o valor deverá ser dividido pela área construída. Segundo Cezar, “o CUB está em 55% ao mês, 19,7% ao ano. Esse aumento é basicamente devido ao aumento dos materiais. Isso é um índice geral, mas alguns materiais específicos subiram mais de 150%. O caso do aço é mais emblemático”.

Entre o período de julho de 2020 até agosto de 2021, o preço do aço sofreu um aumento de 190%, considerado o maior já registrado no setor de construção civil. Porém, mesmo com os valores em alta, o material para finalizar as obras estão ficando cada vez mais escasso. Um dos materiais que mais está sendo prejudicado é o aço. Conforme informado pelo líder da Sinduscon, os fornecedores estão efetuando a entrega entre 2 há 4 meses de atraso. Mesmo assim, a previsão é que os insumos fiquem cada vez mais escassos.

Valores altos de insumos, atrasos na entrega e obras de construção civil paralisadas

Se fossem colocadas em uma balança, as obras públicas estão com uma desvantagem maior que as privadas. Onde, as obras particulares, essas possuem uma negociação mais rápida, pois é feita diretamente com os fornecedores. Enquanto as públicas, precisam passar por alguns setores e órgãos governamentais para serem iniciadas e tomarem alguma medida quando houver problemas.

De modo geral, existem quatro motivos para que o preço dos insumos da construção civil chegasse a esse nível. Onde podemos citar: a variação do câmbio, a pandemia, o aumento da matéria-prima e dos commodities e o acréscimo a nível internacional. Durante uma obra, até as sucatas são reaproveitas. No entanto, a pandemia afetou até mesmo esse setor. Antes, o quilo de sucata era R$0,20, mas hoje em dia está custando cerca de R$1,00. Aproveitando a situação, diversas empresas de metais, siderúrgicas, celuloses e derivados do petróleo, aproveitaram para subir o valor de seus materiais.

Assim, os insumos utilizados na construção civil e demais obras, estão sofrendo aumentos consecutivos em seu valor. De acordo com Cezar Mortari, “não foi só aço ou metais. Outros materiais também subiram. Por exemplo: cimento, materiais ligados ao plástico e ao papel, brita, areia, tijolo. Esses produtos subiram além da inflação”.

Ruth Rodrigues
Formada em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), atua como redatora e divulgadora científica.